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As palavras entravam no mais recôndito canto de seu corpo.
Ele a abraçava ,acaraciava seus cachos e deslizava a mão pelo seu corpo nu.
Ele a envolvia naquele universo e tomava sua atenção como ninguém jamais conseguira.
Descobria coisas em seu corpo que nem ela conhecia.
E ela se entregava,contra sua vontade.
Mãos cerradas,o pulso acelerado.
A máscara caia e ela estava ali como a menina frágil que era.
Desamparada,tentando encontrar o calor do outro.
Incontrolável,desenfreada.
E,como por instinto,o outro lhe tocava de leve com a mão.
E ela estremecia e vibrava,cerrava os punhos mais forte controlando a incrível vontade de tocá-lo também.
Suas palavras saiam trêmulas.
E tentando envolvê-lo,ela que era tão segura,se perdia e as palavras ficavam soltas no ar.
Mas ela não queria aquilo ,e sofria, e se torturava.
Quando ele saia ela respirava fundo e retomava sua vida,pensando como seria da próxima vez.
E cada centímetro do seu corpo desejava que ele não tivesse ido,que ele ainda estivesse ali hipnotizando-a.
Aquele sentimento era tão bom,seu coração havia esfriado com o passar dos anos e ela ,que sentia tudo com tal intensidade que chegava a doer,se tornava mais uma.
Não via mais graça nas coisas que antes a alegravam tanto.
Mas com ele ali,do seu lado,sua antiga poesia voltava,junto com os batimentos acelerados de seu coração.
Ela se agarrava a cada palavra como se tentasse subir,penosamente,uma escada.
Mas quando sua boca fechava a escada sumia e ela se via ali,novamente,trancada dentro de si mesma.
Como um pássaro em uma gaiola,que por alguns segundos,quando o seu dono vai alimentá-lo e abre a portinhola,vê a liberdade lhe sorrindo e no segundo seguinte tudo se esvai e sobra de si mesmo menos do que antes.
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