domingo, 23 de maio de 2010

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Por que eu choro?
Porque você me corrói.
Você chega do nada,alegrando minha vida e me fazendo feliz.
Você destrói tudo que eu sonhei pra mim.
Você me faz idealizar coisas que já não quero mais.
Em um segundo,acaba com tudo.
Com um simples toque derruba as partes de mim,as peças que eu demorei anos montando ,tudo o que demorei pra me reconstruir acaba em um segundo.
Você assopra meu castelo de cartas.
Me faz ser frágil,você me faz chorar.
Me faz escrever em primeira pessoa versos que você nunca irá ver.
Entende porque eu não quero?
Porque eu não te quero?





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Como pode?
Como posso?
Escrever versos delirantemente,afim de quê o que eu estou sentindo fique nas palavras.
Tentando me esvaziar.
Escrevo o que não posso te dizer e nem vou.
Você me maltrata.


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Ele falava e a regava com suas palavras.
A planta murcha esquecida no canto da sala,sem que ninguém percebesse,ia retomando a vida.
Aos poucos,delicadamente.
Então ele aumentava o tom e o ritmo e a água chegava a ela como uma cachoeira,uma inundação.
Ela procurava espaço,afastava os livros e crescia.
Mas quando ele ia embora,só havia o silêncio.
E ela se esquecia do quão grande era e voltava a ser apenas uma planta murcha esquecida na sala.


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As palavras entravam no mais recôndito canto de seu corpo.
Ele a abraçava ,acaraciava seus cachos e deslizava a mão pelo seu corpo nu.
Ele a envolvia naquele universo e tomava sua atenção como ninguém jamais conseguira.
Descobria coisas em seu corpo que nem ela conhecia.
E ela se entregava,contra sua vontade.
Mãos cerradas,o pulso acelerado.
A máscara caia e ela estava ali como a menina frágil que era.
Desamparada,tentando encontrar o calor do outro.
Incontrolável,desenfreada.
E,como por instinto,o outro lhe tocava de leve com a mão.
E ela estremecia e vibrava,cerrava os punhos mais forte controlando a incrível vontade de tocá-lo também.
Suas palavras saiam trêmulas.
E tentando envolvê-lo,ela que era tão segura,se perdia e as palavras ficavam soltas no ar.
Mas ela não queria aquilo ,e sofria, e se torturava.
Quando ele saia ela respirava fundo e retomava sua vida,pensando como seria da próxima vez.
E cada centímetro do seu corpo desejava que ele não tivesse ido,que ele ainda estivesse ali hipnotizando-a.
Aquele sentimento era tão bom,seu coração havia esfriado com o passar dos anos e ela ,que sentia tudo com tal intensidade que chegava a doer,se tornava mais uma.
Não via mais graça nas coisas que antes a alegravam tanto.
Mas com ele ali,do seu lado,sua antiga poesia voltava,junto com os batimentos acelerados de seu coração.
Ela se agarrava a cada palavra como se tentasse subir,penosamente,uma escada.
Mas quando sua boca fechava a escada sumia e ela se via ali,novamente,trancada dentro de si mesma.
Como um pássaro em uma gaiola,que por alguns segundos,quando o seu dono vai alimentá-lo e abre a portinhola,vê a liberdade lhe sorrindo e no segundo seguinte tudo se esvai e sobra de si mesmo menos do que antes.

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Ele afagou os cabelos dela e ela estremeceu.
Naquele momento percebeu que estava perdida e rezou pra que aquilo fosse apenas uma ilusão.
Ela não podia se apaixonar novamente,não agora.




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Por que,Meu Deus? por que?
Eu não quero ,eu não posso.
Encontrei meios possíveis e impossíveis pra fugir.
Por que esse nervoso?
Por que essa ânsia?
Trêmula.
Não quero me perder naqueles olhos,ser tragada por aquela boca.
Não quero ondas arrebatadoras e sentimentos devassaladores.
Não quero olhos de Capitu,que são como a ressaca do mar,me tragando,me puxando.
Não quero essa necessidade,essa vontade.
Quero só a mim e a mais ninguém.
Não quero escrever versos que nunca serão lidos.
Quero continuar sendo eu mesma.
Quero o desafeto e a repulsa.
Não sei viver com paixão,não sei amar.

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