sexta-feira, 15 de julho de 2011

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O que mais me decepciona é que aprendo mais com meus livros do que com as pessoas.



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Estou esgotada, cansada, farta. Alguém me diga, por favor, que acabou. 

Da Morte.

Saudade de um tempo em que dor, perda, mágoa e, principalmenete, morte eram apenas palavras imaginadas; guardadas nos meus livros de fantasia.

Silêncio.


De uns dias pra cá eu tenho sentido cada vez mais esse silêncio que está entre nós. Uma espécie de luto por toda uma crença em algo que poderia ser, mas caiu morto ao chão, antes mesmo de alçar vôo .

Salto.

Não que eu não goste de amar. Eu gosto, e muito. Mas é que me encanta tanto essa sensação de se apaixonar por pessoas diferentes, por jeitos diferentes, por sorrisos diferentes. Essa sensação de novo e de limpo que qualquer paixão repentina dá. E como dá. Perder as palavras e só encontrar olhares e toques tímidos tentando fazer que tudo seja tão natural como nenhuma boa paixão pode ser. E não é. 

Eu sou.


Ultimamente tenho sentido uma tristeza enorme por tudo isso que está morrendo entre nós, essa coisa suja que está sendo carregada até o momento, cada vez mais próximo, em que não poderemos nem ao menos empurrá-la e, esquecida, ficará para trás. Essa coisa bonita e mágica que fez a gente rir um dia, juntos. Mas que se apagou pelo simples fato de que não posso mudar o que sou. E eu sou.

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De todas as formas de amor, a silenciosa é a mais dolorosa.

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Meu amor? Saiu pra comprar cigarros e nunca mais voltou.

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A coisa mais bonita que Deus deu ao ser humano foi a total incapacidade de compreender a morte.

Carta a um amigo.

Passa Quatro, 25 de maio de 2011

Queria te mostrar todas essas coisas lindas que vejo aqui.
O céu com mais estrelas, impossível de contar. Parece que tudo é mais limpo, nítido, as cores são mais fortes e vibrantes, é uma sensação incrível.
O ar fresco, puro, sem toda a fumaça a qual nos acostumamos.
Aliás, aos poucos, tomo conta do meu próprio cheiro de fumaça.
Mal vejo a hora de tomar um banho e deixar a água morna levar esse restinho de cidade que trouxe comigo. Mas não agora. Agora faz um frio que chega a doer e eu sinto falta dos seus pés, estranho lembrar desses detalhes bobos. Fazem tanta falta.
Mas a maior saudade é do seu cheiro. Não consigo me lembrar de como ele é.
Tento, tento, quase chego lá, mas não consigo. Só me lembro da sensação, uma certa paz, serenidade, aconchego. Uma mistura de sensações agradáveis.
Acho que não esqueci seu cheiro exatamente, é mais como se tivesse me acostumado a ele. Aquela história de que nos acostumamos ao nosso cheiro por isso não podemos sentir. Talvez seja isso, talvez seu cheiro seja um pouco meu agora; talvez eu só sinta ele novamente, quando você for embora.


Cafetina.

Nosso gostar-um-do-outro tem um tom de bossa-nova; um deixa estar, deixa levar, deixa ser; seja lá o que for.


O Grito


” Quero morrer. ” - Penso.
” Quero viver. ” - Grito.
Até que o som rouco do grito, misturado a outros sons mais bonitos, emburreça a mente a ponto de cessar por completo o pensamento. 
Salvo o corpo da morte. Mas não a alma.  

D. A.

 Segure o palito no centro. Umedeça a extremidade pontiaguda na boca. Insira entre os dentes, a extremidade afiada próxima à gengiva. Movimente suavemente de dentro para fora. 

- Cheguei à conclusão - disse Wonko, o São - de que uma civilização que havia perdido a cabeça a ponto de sentir a necessidade de incluir instruções de uso detalhadas em uma caixinha de palitos de dente não era mais uma civilização onde eu pudesse viver e continuar são. “ 
Até mais, e obrigado pelos peixes! - Douglas Adams

37

De manhã ele se levantava da cama, calçava os chinelos (primeiro o pé direito, todos temos que começar pelo pé direito).
Lavava o rosto, escovava os dentes, olhava seus olhos - acho que estou doente - lavava as mãos 37 vezes, primeiro a direita, depois a esquerda. Mijava. Lavava as mãos novamente, 37 vezes.
Tomava seu suco, escovava os dentes, lavava as mãos, 37 vezes. Saía, fechava a porta, abria a porta (pra ver se estava realmente fechada) fechava novamente e repetia o processo 6 vezes.
Ia caminhando, contado os passos, virava a esquina, 45 passos, acendia um cigarro, em ordem da esquerda para a direita conforme estavam dispostos em sua cigarreira.
Comprava o jornal, colocava sobre o banco da praça e sentava em cima, olhando a garota que tocava gaita distraidamente a sua frente.
É bom falar dela, antes de continuar. Ele não sabia o que ela significava, quem era, ou seu nome, mas sabia que toda sexta, ela se sentava naquele local, exatamente aquele e treinava gaita. Estava melhor desde que começara. Havia sido assim durante 3 anos, e ele a ouvia todas as sextas, sem falta, às 10 da manhã. Depois se levantava, colocava o jornal no lixo e ia trabalhar.
Sua rotina era a mesma, todos os dias. Sentava-se na mesa do escritório. Dispunha os objetos na ordem exata, levantava-se, ia ao banheiro, lavava a mão 37 vezes, voltava. E começava seu dia exatamente igual. Voltava pra casa, contando os passos, 45 passos, acendia um cigarro, abria a porta, entrava, fechava, abria novamente pra se certificar de que tinha fechado, repetia o processo 6 vezes. Lavava os legumes, 37 vezes, cozinhava, comia, tomava o banho cerca de 3 vezes antes de dormir, punha seu pijama do dia e depois de escovar os dentes, lavar as mãos 37 vezes, mijar e lavar as mãos mais 37 vezes ia dormir.
Seus dias eram todos assim, exceto nas sextas, quando ia à praça mais cedo ouvir a garota tocar.
A garota era uma pessoa normal, querendo aprender gaita normalmente, em um dia normal, com sua vida normal e seus amigos normais. E ela aprendeu.
Sexta- feira, dia 18 de Março do ano de 2011.
Dia normal, rotina normal. Levantar, calçar os chinelos, lavar o rosto, escovar os dentes, lavar as mãos, mijar, lavar as mãos novamente, fechar a porta, contar passos, cigarro, jornal, praça.
10:00 – ela deve ter se atrasado.
10 :10 – mãos suadas, coração acelerado.
10 : 11 – tamborilar de dedos.
10:12 – sufocamento, ansiedade.
10:13 – calma.
Levantar-se, jogar o jornal fora, contar passos, acender um cigarro, caminhar até a ponte, se jogar.
10:30 – sentar, treinar gaita. Hoje ele não veio.
Nota: cena retirada do filme Mary and Max.