quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Monólogo a dois.

Penso que tudo isso nesse mundo tá ligado, sabe? Não foi coincidência te encontrar, assim como  não foi coincidência me reconhecer em você. A gente tomou  um puta porre e nem consegue falar direito, mas você sabe que eu te amo, né? Não me importa a raça a cor o sexo, aliás, eu gosto do sexo. Nem me importo com os cigarros que rouba de mim. É só que te amo, nesse mundo nojento e sem porra de ideal nenhum. Esse mundo vazio e esse cheiro azedo. Nesse mundo você não é minha centelha de esperança, porque não existe mais esperança pra nós. Você é mais como a parede que acomoda o ombro escorregadio do meu eu bêbado e cambaleante. Você me  faz sentir como se a gente não fosse tão mal assim, como se ainda tivesse lugar pra nós. Não acende outro cigarro, quero  ouvir o que você tem a dizer sobre mim. Não, não dorme. quero conversar, dizer tudo que eu sinto. Vem, te levo no banheiro e seguro seu cabelo pra você vomitar. Só não desmaie, não  sei se te aguento.Eu amo o cheiro do seu cabelo , sabia. Mas odeio te ver vomitar, talvez a gente deva parar de beber, você vai acabar se matando. sabe, doença não é brincadeira. Tá me ouvindo, cara? Não desmaia. Eu fico com medo, eu não vou conseguir te segurar. Vou te dar um banho, vem cá,. Olha é água fria, vai te fazer bem. Vem me abraça. É, eu sei que tá gelada, me abraça que você não sente tanto frio . Pronto, viu? Tô aqui, com você. Sempre.  Você escutou o que tava dizendo antes? Não, né. Eu sabia. Te conto tudo amanhã, quando você estiver melhor. Não, olha aqui pra mim. Não fecha os olhos. Segura minha mão. Vou te enrolar em um cobertor. Vem, me abraça. Acho que você não está muito bem, estou com medo. Vou ligar para o hospital. Nem vem com essa de “está tudo legal ” você sabe que tem de tomar cuidado. A gente vai lá, vê se você tá bem e volta. Vai ser rápido. Prontinho, daqui a pouco eles chegam. Cara, você tá bem? Olha pra mim. que aconteceu? Fala comigo, não fecha os olhos, aguenta mais um pouco, por favor, me abraça, não quero te abraçar sozinha. Diz que me ama também. Não me faz chorar.
Silêncio. Hospital. Silêncio.
Eu disse que ia te dizer tudo denovo hoje. Mas você não vai me ouvir. Eu te amo, cara.

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